segunda-feira, 30 de setembro de 2024

EUGÉNIO DE ANDRADE, in RENTE AO DIZER

Kôshikei (1968), Nagisa Ôshima

"O amor adulto não se busca, ele simplesmente é.

Não está à venda, não se conquista, e muito menos se força. O amor adulto floresce entre dois corações abertos e disponíveis. E, nesse espaço de entrega mútua, algo mágico acontece.

Duas pessoas que se encontram não o fazem por carência. Não estão ali para preencher vazios ou substituir alguém que se foi. Elas não vêm ocupar lugares deixados para trás.

São duas almas livres que se veem e, com profundo respeito, dizem:

“Você é completo por si, e depois comigo. Eu sou inteiro em mim, e só então contigo.”

Alejandro Jodorowsky


quinta-feira, 26 de setembro de 2024

"O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos fardos é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da realização vital mais intensa. Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.
Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi-real, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.
O que escolher, então? O peso ou a leveza?”

Foi a pergunta que Parmênides fez a si mesmo no século VI antes de Cristo. Segundo ele, o universo está dividido em pares de contrários: a luz/a escuridão; o grosso/o fino; o quente/o frio; o ser/o não-ser. Ele considerava que um dos pólos da contradição é positivo (o claro, o quente, o fino, o ser), o outro, negativo. Essa divisão em pólos positivo e negativo pode nos parecer de uma facilidade pueril. Exceto em um dos casos: o que é positivo, o peso ou a leveza?
Parmênides respondia: o leve é positivo, o pesado é negativo. Teria ou não teria razão? A questão é essa. Só uma coisa é certa. A contradição pesado/leve é a mais misteriosa e a mais ambígua de todas as contradições.” 

Milan Kundera, do livro “A insustentável leveza do ser”, via: "Revista Prosa Verso e Arte"

Martine Gutierrez

"Era feliz. Nunca percebemos quando estamos felizes, Angela, e perguntei-me por que a assimilação de um sentimento tão benévolo nos enc...